100% loira, *ALTA* & £ou¢@



"I'm the grain of sand becoming the pearl"
(Pearl. Paula Cole Band. Amen,1999)


quinta-feira, agosto 11, 2005

Entre os livros e meu mundinho miúdo


Eu poderia usar esse espaço para ficar reclamando e metendo a boca em todo o lixo que está acontecendo em Brasília. Mas disso, todo mundo já sabe, todo mundo vê, então, como na maioria das vezes, vou usar o meu espaço gratuíto na Internet para falar sobre a minha vida, meus problemas e minhas reclamações. Afinal, porque discutir aqui sobre a porcaria do presidente que eu escolhi para estar lá e que hoje faz viagens e discursos piegas, falando da "burquesia" quando ele mesmo se tornou um dos piores burgueses. Eu vou é ficar quieta, aliás, nem vou dizer que votei no Lula na primeira eleição da minha vida, assim como todo mundo faz. O cara tá lá, mas ninguém votou. Aliás, todos os caras estão lá, mas ninguém lembra em quem votou. Também, são tantos.
E além do mais eu não quero admitir que começei errado, que caí na que eles queriam que eu caísse. Botaram um terno e arrumaram o presidente sujo para colocá-lo no lugar de almofadinha, para jogar na cara de cada um que toda aquela história de luta, de termino da corrupção era lorota, que ele é igual aos outros ou, quem sabe, pior. Ou vai me dizer que foi criatividade do PT inventar essa história de mensalão, inventar o suborno, que antes não tinha nada disso. Mas é como dizem, o que os olhos não vêem o coração não sente. Mas esse soco foi na boca do estômago. E o presidente simplesmente não sabe o que fazer. Por outro lado, sempre foi assim mesmo, porque eu devo me incomodar, porque vou gastar meus preciosos dedos nas teclas desse computador?
Está tudo tão longe. E voltando a falar sobre mim, não tive coragem de negar os R$ 13,00 para o lar dos idosos que me pediram esse mês. Fiquei emburrada porque a grana tá curta, mas colaborei, colaborei porque sei que ficaria com a consciência machucada, como fiquei no mês passado. O mês em eu passei um longo tempo com míseros R$9,00 na conta do banco. E eu me pergunto. Por que a consciência deles não dói?
Não dói ao pensar que a maioria do país tem que se virar com R$300,00 por mês. Aliás, que todo o país, porque quem ganha mais tem que pagar mil e um impostos para o governo. Vai que eles ficam sem dinheiro da gravata ou dos passeios de avião. Dúvida? Levanta a mão aí quem no final do mês consegue R$300,00 limpinho, sem uma continha pra pagar.
É desse mundinho que eu tenho que falar, do mundinho das cifras pequenas. Quando eu ouço ou leio nos jornais as palavras milhão, milhões, eu nem sequer consigo fazer uma imagem mental sobre essa quantia, não faz parte nem do meu mundo das idéias. E fica tudo tão longe. Tão longe pra mim e para todos. E no outro dia, depois de assistir mais um enfadonho depoimento blindado na CPI, eu tenho que voltar a trabalhar. E ainda deveria me sentir privilegiada por assistir. Eu me irrito, xingo, acho tudo uma merda. Mas a minha manifestação se resume a isso. A minha e a de todo mundo que infelizmente pensa como eu penso. Que ir pra rua não resolve, imagina só perder um dia de trabalho para se manifestar contra algo que depois que eu me for vai continuar na mesma.
E falando em manifestação o presidente reeleito da UNE está tão apático quanto o nosso próprio presidente. Vai ver que ele também tem que trabalhar e não tem tempo para organizar uma manifestação em qualquer lugar que seja contra o que estamos vendo acontecer com o país. Não o culpo de maneira alguma. Somos todos uns bundões. E cada vez seremos mais. Afinal é muito mais fácil colaborar com R$ 13,00 para o lar dos velhinhos do que cobrar do poder público assistência médica, educação, emprego. Por que perder tempo com isso? A gente tem que trabalhar pra pagar convênio, escola e ainda sustentar um bando de marmanjo no poder.
Eu estou preocupada é com o meu trabalho de conclusão de curso. Eu preciso me formar para arrumar um emprego melhor, ganhar mais. Uma revolução, não preciso de tanto vai, uma manifestação grandiosa e duradora só iria atrapalhar os planos para a minha vida! Assim como eu todos preferem viver de olhos fechados, parece que dói menos. Porque pensar e refletir sobre porque nenhum, nenhunzinho daqueles caras tá na cadeia, sendo que o João da Silva, que morava lá na favela do meu bairro, não tinha estudo e menos ainda emprego e roubou só um supermercado continua preso? E ele não teve nem metade da repercursão dada para a prisão da tal dona da Daslu, que ficou tão pouquinho por lá.
É, ladrão rico presta esclarecimento, agora, ladrão pobre vai pro xadrez tomando tapa na cabeça. Mas e o que eu tenho a ver com isso? Não sou bandida rica, nem pobre e pago meus impostos. Aliás, falando em imposto, vi o tal do manifesto pelas tarifas mais justas nos ônibus. E? E que com um pouquinho só de raciocínio é fácil perceber que tudo é assim, não é só tarifa de ônibus! Até o ovo e o papel higiênico que eu compro estão recheados de impostos. E pensar que é possível ter preços mais baixos e salários mais altos, aí sim que dói. Pensar dói.
E a coisa continua sempre a mesma, corrupção e impostos abusivos e todo mundo anda trabalhando demais e ocupado demais para fazer algo a respeito. Infelizmente na hora de pensar é cada um por si, mas na hora de levar no * reflete no bolso e na vida de todo mundo.
Ah, e na Europa, minha amiga me contou, os pais delas foram para a Alemanha e disseram que iam "comprar" uma água, todos os amigos que estavam junto gargalharam. Na Alemanha não se compra água. Se você comprova que a água lhe causou prejuízo a saúde, uma dor de barriga que seja, o governo é obrigado a lhe indenizar. E se lá funciona assim, porque não?
Enfim, a juventude bundona continua na mesma e a situação continua na mesma e eu...eu vou continuar na mesma.

Como Nossos Pais
(Belchior)

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado é que não vê
É você que ama o passado é que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais



Postado pela fértil mente da Nany às 20:52 | solta o verbo!::


Sobre mim:
Nome: Daiane B. Parno
Nascida em: 25 de junho de 1984, na cidade de Joaçaba (SC)
Vivendo: Entre as rodoviárias de Campinas, Americana e São Paulo
Fisicamente: Loira, 1,76m e uns 68 kg
Estado civil: Completamente apaixonada

Amo ou odeio:

Engenheiros do Hawaii
Meus amigos
Cervejada
A redação
Sentar na calçada pra tomar chimarrão
Meu namorado
(Simpsons)

TPM
Perder o controle
"Desde sempre"
Regime
Falsidade e mentira
Mundo fashion

O que eu faço?

Jornalista - formada pela PUC-Campinas e trabalhando onde dá...